quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
esse ainda não é o em homenagem aos 100
meu corpo manda em mim
o que ele disser eu cumpro
as obsessões que daí provenham
não escondo-as
os exageros característicos
que se explicitem
não os escondo
entrego-me totalmente
e confio, cego, nos ditos
de meu corpo
para minha vida
domingo, 13 de dezembro de 2009
sábado, 12 de dezembro de 2009
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
da secura de dias insanos...
um relâmpago atingiu-me enquanto eu dormia, enchendo-me de algo que me fez voar. sentia que nascia de novo, como se nunca antes tivera nascido. e noutro estado então me encontro. não sou mais sólido, como noutros dias. tampouco sou algum líquido. hum, se o fosse, seria alcoólico. sou algo de etéreo. como o vento, mas não tanto. queimo como o fogo, mas não faço arder. não causo bolhas. não faço estrondos exatamente audíveis,embora o que causo, diga-se de passagem, compara-se à certos efeitos pirotécnicos. li numa vez, de madrugada, num livro... chamavam: EXPLOSÃO!.
Algo sob a chuva
que não choro
e tampouco escrevo
um bom poema
(daqueles que faz
o mundo parar
para depois girar
mais leve)
Queria que fosse
meu o pranto
que hoje molha
a cidade,
e minhas
as mãos que
tocam o piano
da sétima música
do álbum.
Noutra espécie
de blues ou jazz,
minhas são apenas
as mãos sozinhas
que vão desenhando
em vermelho
no caderno
algo sobre a chuva.
E então
algo sob a chuva
em mim
dança
por entre as
luzes e sombras
de minha casa.
Poema para a aranha que tomou uma sentada
pequena.
Não estás mais sozinha.
Até mesmo eu,
medroso de aranhas,
sentei-me ao teu lado.
(Se não estivesses achatada,
eu não sentaria).
Não te sintas triste,
pequena.
as pessoas sentam,
e foi a hora de alguém
sentar em você.
Agora já te podes sorrir,
tranquila em tuas teias
celestes,
com teus oito olhos
a fitar o infinito.
Agora já sabes
(e graças à ti,
também eu o sei)
o quanto morrer
pode ser bonito.
palavras de latim
para rebuscar
o que eu sinto.
Mas não sei.
Me carecem palavras
de todas as línguas,
e apelo para o
verso,
este bicho que não
fala,
apenas olha para
quem, do outro
lado da página
escuta o que vê.
Não há
vocabulário
neste universo.
O que há
são
um caramanchão de cerejeiras
e o espaço entre ele e nós.
Existir acontece:
Basta respirar.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
não deu pra passar sem postar - 2
não deu para passar sem postar - hahaha
para inaugurar o mês de dezembro
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Bora?
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Uma frase
Nathaniel Hawthorne, no conto Wakefield.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
trechinho de poema do leminski pro aniversário do Pepo.
Trechinho mesmo, localizado no final do poema "R", no livro LA VIE EN CLOSE, de Paulo Leminski.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
confissão de uma saudade
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
apagão
domingo, 8 de novembro de 2009
sábado, 7 de novembro de 2009
poema para meus 22 anos de idade
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
do filme: o demônio das onze horas - godard
sábado, 24 de outubro de 2009
fluência onírica
comecei a amarrar
um grão de arroz no outro
com um barbante
ao final joguei tudo
pela janela
e aquele negócio
virou um pássaro
branco
lindo
que voou pelo céu
da cidade
fechou um boeing
que o xingou
e foi ao mercado municipal
comprar frutas fresquinhas
que ele trouxe
pra eu comer depois
do almoço.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
outra resposta à MEMÓRIAS
Sobre a escrita
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Como nossos pais
domingo, 18 de outubro de 2009
Memórias
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
poema de parabéns para o jony
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
neste mês de recorde de postagens, uma homenagem aos camaradas blogueiros (e a tantas outras pessoas escondidas nos mais longínquos cantos da memória)
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
fogo
sábado, 26 de setembro de 2009
noite
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
e eu estou quase
boa noite tchau obrigada e nossa
vou ao café que esta minha cozinha aguarda pra mim
faço de noite vou fazendo em várias
partes cumplicitárias
a televisão e esse programa avesso mas
vem palavras dele e eu me inundo da noite
as crias já deitaram dormiram não chegou uma
eu aqui eu por ti eu parti
fui ao circo com as menininhas vox e ri inundei-me
um calor combalente
uma noite rápida e de novo ainda nao fui mas vou
agora sim
vou ao café
e queridos
escrevo porque me seduz
hoje estou de um
que nem ontem em tarde nem cesário ota
me vem o sono falta o trampo que olha da mesa
falta paul auster e eu quero hoje ele na cama comigo
hehehe
como quero boa noite tchau e obrigada
O homem, as viagens
Chateia-se na terra
Lugar de muita miséria e pouca diversão,
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
Toca para a lua
Desce cauteloso na lua
Pisa na lua
palnta bandeirola na lua
Expeimenta a lua
Coloniza a lua
Civiliza a lua
Humaniza a lua.
Lua humanizada: tão igual à terra.
O homem chateia-se na lua.
Vamos para marte - ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em marte
Pisa em marte
Experimenta
Coloniza
Civiliza
Humaniza marte com engenho e arte.
Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro - diz o engenho
Sofisticado e dócil.
Vamos a vênus.
O homem põe o pé em vênus,
Vê o visto - que é isto?
Idem
Idem
Idem.
O homem funde a cuca se não for a júpiter
Proclamar justiã junto com injustiça
Repetir a fossa
Repetir o inquieto
Repetitório.
Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira terra-a-terra.
O homem chega ao sol ou dá uma volta
Só para tever?
Nõ-vê que ele inventa
Roupa insiderável de viver no sol.
pôe o pé e:
Mas que chato é o sol, falso touro
Espanhol domado.
Restam outros sistemas fora
Do solar a col-
Onizar.
Ao acabarem todos
Só resta ao homem
(estará equipado?)
A dificílima dangerosíssima viagem
De si a si mesmo:
Pôr o pé no chão
Do seu coração
Experimentar
Colonizar
Civilizar
Humanizar
O homem
Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
A perene, insuspeitada alegria
De con-viver.
-Carlos Drummond de Andrade, em "As impurezas do branco"
terça-feira, 15 de setembro de 2009
por diversão
poema salva-vidas
Trampolim Atômico
Transpulando no meu trampolim
atômico,
trespasso a nuvem que
me escondia lá em baixo,
transpiro nadando no ar
transparente,
chego atrasado mas cá estou
finalmente para
transar com as estrelas.
Prá segurar na mão distraída
de Deus,
falta pouco.
Novo Canto
de minha casa.
E a escrita, sempre esquisita,
é uma forma minha
de NÃO ficar sozinho.
Estou com as letras,
com as palavras,
com o movimento.
Comigo:
poesia,
som,
meu pensamento.
Um encontro,
um compromisso comigo
em que eu compareço.
Um instante
do mundo,
e eu aconteço.
Este é um poema dedicado aos meus amigos.
Quem sabe, sabe.
pensei em dizer em japonês,
por me ser uma coisa nova,
intrigante e importante,
mas sei que é pouco.
pois bem, aqui vai um poema
de Mário Quintana.
"Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado."
Muito Obrigado.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
hoje meu canto no blog é por compromisso
Rumo
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe... Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto...
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma."
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Valor
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Também de improviso
plantado colhido
picado
deixa na mão
cheiro-verde.
o nome
sinestésico
faz pensar se
veio antes a cor
ou o cheiro.
pouca diferença
faz.
raras são as
coisas
no mundo
tão idôneas
quanto
cheiro-verde.
domingo, 6 de setembro de 2009
improviso antes de dormir
terça-feira, 1 de setembro de 2009
reflexão sobre educação (e tantas outras coisas que me atormentam)
sábado, 29 de agosto de 2009
miniconto sem título 2
Apesar de meus ouvidos sorrirem ao som da chuva, e de minha pele se apaixonar pelo acalento das cobertas mornas, certas consciências que inda não calam a boca não me deixam em paz.
Me pergunto se não é depressão preferir a cama ao convívio social.
E no entanto anseio por músicas e danças, gente pelada e cantoria, exposição e entrega.
Serei eu mesmo este ser que se deprime dançando em sua cama ao som da chuva?
Se bem que são todos eu (como li certa vez num livro com um macaco na capa). E eu sou nenhum.
A chuva aumenta o volume, o coração aumenta o volume, a mão aumenta o volume da escrita: ganhei algumas palavras de presente.
Certas ousadias brincam com o pensamento. Fazendo-o arma, sagrado veneno.
Quando meu pensamento piscina e a chuva enche, saio da cama para nadar.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
versinho que o fran me ensinou
para não perder o costume (dos escritos madrugadores)
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
domingo, 9 de agosto de 2009
das novas postagens
as direções dos rumos
surpreendem.
a vida,
em seu limite,
surpreende.
o que é o limite
da vida?
a morte?
ou a embriaguez?
agora acho
que ambos.
e então
yes.
no limite da vida,
escrevo um poema
para meus amigos
pois morro
a cada segundo
que vivo
[e estou bêbado, quem diria!
e sendo assim
sou franco:
às vezes viver a poesia
é difícil prá caralho.
mas a gente,
de vez em quando,
equece e tenta.
sem medo de não ser gostado.
ouve o som do ritomo
do coração
e da lua.
e ouve o som
da letra
tecida.
seja virtual,
seja de papel.
é vida.
é o que vale
a pena.
e por ela
embriaguemo-nos.
até amanhã.
[com orgulho da ressaca.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
no albergue
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
da forma
sexta-feira, 31 de julho de 2009
outra das férias
terça-feira, 28 de julho de 2009
Excerto de conto que nunca escrevi
Um gran finale, sem dúvida.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Recolocadas as rodinhas em meus pés (outra no ônibus para campo grande)
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Postagem com calor na barriga
as palavras
que vivemos e não sabemos.
as palavras que sabemos
e ainda não vivemos.
palavras que desconhecemos.
Gluck.
Shoshin.

Auguri.
Ífe.
palavras que pintamos
nas ilhas,
nas vidas,
nas voltas.
Do.

nossas vidas,
palavras.
Kotoba.

silêncio
e homem.
palavra.
旅人
(tabibito)
viajandante,
sempre sempre,
andarilho.
vamos em frente,
vamos em frente.
terça-feira, 14 de julho de 2009
no buzão indo pra campo grande
desfigurado vou
a lua em meus pés
sou um lance de dados
com a lua em minha tez
sinto agora o revéz
alto, por longe ter vislumbrado
tudo são sombras
que voláteis passam
vorazes semelhanças
com o odor que escorre
no peito angustiado
comigo não vou só:
a lua me abre
todas as possibilidades
e me faz nada aquém
de névoa ou oceano
ou seja,
atingi meu destino
mesmo que provisoriamente
sou agora
deus de mim mesmo
Postagem com frio na barriga
ou num salto de asa delta
quem sabe até numa carícia às escondidas
inauguro em mim o estado de incertezas
no qual sempre vivi
entrecaminhos que se postam
reporto a imagens de outrora
para ter certeza do que fui.
penso em escrever um soneto,
algo com estrutura, um sopro feito,
para garantir a sutura
dos pensamentos.
ia dizer custura, teia,
imagem que nasce da crença
na descrença, uma tecelagem de carnes
todas a ponto de prazer ou putrefação.
a linha é tênue.
todas as linhas são tênues,
porque o todo é único e tudo é o mesmo.
não sei onde estás, mas sei
que me ensinastes também
a ser viajante.
preferia dizer viajandante.
nada como um sorriso amigo
que vem ao meu encontro
sempre que carrego no bolso
do rosto
um imenso abraço
gratuito no desembaraço
que constitui as relações humanas.
busco recompensas, talvez uma ilha,
um reino, que há de me bastar.
dando voltas afundo revoltas
e chego a descobrir, na beirada do triz,
o sentido de amar.
ó mar salgado,
quanto do teu sal são lágrimas minhas
que derramei de olhos fechados.
a ilha está na testa,
e o olho está na ilha.
atino, atesto, o olho, a ilha.
daremos a volta
e depois de voltearmos tudo
só nos restará uma possibilidade:
o retorno.
o retorno que não passa,
não escapam eiras nem beiras,
do compromisso que temos para com nossas vidas.
E, aqui, meus amigos, para com as palavras,
que tanto estimamos.
Auguri, Pedruschi.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Postagem às escondidas
Postei-nos.
E por postar-nos,
comecei-me.
Ser eu novo.
Ser um novo nós.
Seguindo o vôo das araras.
Rasgando as águas dos rios.
Riscando todos os mapas.
Comecei-me.
Por que não começai-vos vocês também?
sigam o caminho que quiserem logo abaixo...
domingo, 5 de julho de 2009
Postagem espontânea
quarta-feira, 1 de julho de 2009
O poema específico de Rilke (com duas traduções)
Rainer Maria Rilke
(Trad. Augusto de Campos)
De tanto olhar as grades seu olhar
esmoreceu e nada mais aferra.
Como se houvesse só grades na terra:
grades, apenas grades para olhar.
A onda andante e flexível do seu vulto
em círculos concêntricos decresce,
dança de força em torno a um ponto oculto
no qual um grande impulso se arrefece.
De vez em quando o fecho da pupila
se abre em silêncio. Uma imagem, então,
na tensa paz dos músculos se instila
para morrer no coração.
A PANTERA
Rainer Maria Rilke
(Trad. Geir Campos)
Varando a grade, a nada mais se agarra
o olhar tomado de um torpor profundo:
para ela é como se houvesse mil barras
e, atrás dessas mil barras, nenhum mundo.
Seu firme andar de passos gráceis, dentro
dum círculo talvez muito apertado,
é uma dança de força em cujo centro
ergue-se um grande anseio atordoado.
De raro em raro, só, o véu das pupilas
abre-se sem ruído — e deixa entrar
a imagem, que sobe, pelas tranqüilas
patas, ao coração, para aí ficar.
domingo, 28 de junho de 2009
POEMA PARA UMA POMBA MUITO BURRA
E eu, humano em demasia,
observo a fragilidade da
vida.
Uma pomba,
interessada em literatura
moçambicana,
veio de longe.
Veio de longe
e, de longe,
esqueceu-se que
no mundo humano
existem janelas,
e é preciso
abrí-las para
voar através.
Explode Mabata-bata.
Explode a Pomba Burra.
Assim a chamo
pois sou meio
retardado,
mas não deixo
de sentir compaixão
pelo nobre pássaro
assim tão parecido
com qualquer um de nós
em nossa tão frágil
condição de
vivos.
Um gato magrelo
ganha almoço
prá uma semana.
Eis o mundo animal.
E eu, humano em demasia,
não canso de à vida
observar com poesia.
Poema escrito durante uma aula de introdução à literatura, na unesp de Assis, no dia 09/06/09.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
"INSUPORTÁVEL. O sentimento de um acúmulo de sofrimentos amorosos explode nesse grito: 'Isso não pode continuar' "
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Após um poema específico de Rilke.
A lança dissolve e enlaça o lance que sinto no lince
Que pinça a alma e pulsa o coração.
Pantera que vem ao encontro
É hera que cresce e estrangula,
Já era.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
sans souci
Procuro o caminho.
Construo o caminho.
Meu tempo é agora, porque não é possível conceber o quando.
O cheiro dos dias se sente no fazer ininterrupto,
no cansaço e no prazer.
Prazer capaz de tudo
Prazer que espanta cansaço
E faz do corpo qualquer coisa mágica
- em cópula-
Já escrevi muito em folhas soltas
Agora minha predileção é escrever
Na pele.
Poesia tatuagem,
corro um corpo com dedos leves,
percorro como máquina as letras do teclado,
faço um chá e ouço música meditativa.
Depois de horas a fio que passam sem consciência,
parece que o mundo me olhou pela nuca
e disse:
estou ao seu lado, mas não sou nada.
Então olho no olho da cara do mundo e digo:
estou ao seu lado e não sou nada.
Um ar paralelo sempre está presente,
e me dá vontade de escrever risadas
e pesadelos
e sonhos (graça).
Para esquentar o blog, para convencer-me de tudo que não sei
Contento-me com uma poesia de alguns meses atrás:
No meio da multidão, sozinho,
Invento um corpo de sobrevivência.
Domo meu gênio indomável,
Ou melhor, o afundo
Em meus porões.
Junto com os morcegos
E os ratos.
E tudo cheira lavanda.
domingo, 14 de junho de 2009
Compreender
"Que é que eu penso do amor? - Em suma, não penso nada. Bem que eu gostaria de saber o que é, mas estando do lado de dentro, eu o vejo em existência, não em essência. O que quero conhecer (o amor) é exatamente a matéria que uso para falar (o discurso amoroso). A reflexão me é certamente permitida, mas como essa reflexão é logo incluída na sucessão das imagens, ela não se torna nunca reflexividade: excluído da lógica (que supõe linguagens exteriores umas às outras), não posso pretender pensar bem. Do mesmo modo, mesmo que eu discoresse sobre o amor durante um ano, só poderia esperar pegar o conceito "pelo rabo": por flashes, fórmulas, surpresas de expressão, dispersos pelo grande escoamento do Imaginário; estou no mau lugar do amor, que é seu lugar iluminado: 'O lugar mais sombrio, diz um provérbio chinês, é sempre embaixo da lâmpada.' "
essa era boa para ter levado naquela roda literária!
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Eddie Vedder - Into the Wild
Eis a nossa jornada poética, mergulhando no sonho dos que sonham, personificados na figura de Cristopher McCandless, ou Alexander Supertramp, vivido tão-somente por ele mesmo, historizado por Jon Krakauer, filmificado por Sean Penn, interpretado por Emile Hirsch, musicado e lirizado por Eddie Vedder, cuja obra serviu de matriz e inspiração para que fosse também engolido e regurgitado aqui por nós. Especialíssimas fotos patagônicas por Carolina Paes de Andrade, minha querida irmã andarilha. Cada música foi "poemizada" por um de nós: Pedro Rabello, Pedro Bruschi, João Pupo. Para este feito tínhamos algo em comum: o prazer com as jornadas que percorrem as naturezas selvagens. Aproveitem esse grito.
Força que percorre:
Faça do grito meu uma espada oca
Que se quebre a cada golpe desferido
E que cada ferido seja invadido
Pelo nada de luz que no oco espaço se escondia.
Continuando, busco planetas inalcançáveis
E as palavras me ajudam.
O indizível é essencial à fala.
Descontinuando, (ou quiçá mergulhado no risco incerto que abre possibilidades, mas angustia)
Vou e volto sobre caminhos já trilhados
Desvendando a infinidade de expressões que se encerram em um mesmo ponto.
Ser. (um pensamento que é massa cinzenta e pôr-do-sol brilhante me corrói)
Ser.
Ser. (a não preocupação é uma conquista à custa de muito esforço ou o oposto?)
Vamos em... qualquer direção.
Porque a frente talvez não esteja adiante.
E nosso juízo nada garante.
“No Ceiling”
por João Pupo
As fronteiras de meu coração se esvaem.
E hoje ainda é de manhã.
Tenho todo um Hemisfério para percorrer
e voltar ainda hoje à noite
para ver a lua brilhar sobre a minha terra.
Se a minha terra é o chão que eu piso,
caminhar para frente é a ida
e a volta de meu percurso diário.
(Guardo essa sabedoria na carne
que envolve meus ossos)
e não sentir nada!
Sentir uma sede insaciável
do próximo passo!
Sentir o vento no rosto
tal e qual um orgasmo!
Sentir a liberdade se descolando
da palavra e guiando cada ação!
A sociedade
é uma anedota
que me contaram
e eu não achei
a menor graça.
Não é tempo
o que perco:
perco à mim mesmo
quando quero me mover
mas fico parado,
assim como perco
à mim mesmo
quando quero ficar parado
e me movo.
Eu sempre perderei
à mim mesmo
enquanto insistir em
ruminar erros
do passado.
Gente rapidamente se esvai.
Não desperdiço esta vida.
Hoje eu sinto que tenho uma alma.
Não sei se a terei amanhã.
Mas hoje eu sinto,
por dentro de mim,
por dentro da noite,
que tenho uma alma até
amanhã de manhã.
E sigo minha jornada,
sem medo,
no escuro.
por Pedro Bruschi
O tempo correto corre e constrói
{A espera é um ritornello pálido}
A catarse por vezes se esconde na repetição
e a repetição por vezes se esconde na intenção.
{As definições são clima}
As incertezas são certezas na espera de um porvir qualquer.
Um canto decantado de infindas idas e vindas
descansado da fadiga que míngua e cega a língua.
A fala, incerta mala, que carrega tantas que não sabe.
Quais sensações podem ser despertas?
Quais são as possibilidades?
Eu sei de gama que percorre e ama a cor das promessas.
A lama por que passamos, poesias em roda declama,
Palavra em chama que percorre e engana
A falta de gana que pseudo-corre sobre a in-verde grama
De nossas existências malandras.
Estou lûmine. Ilûmine.
Iluminar a trilha, a senda que finda,
Não míngua o poder que temos,
Mas redebrilha o presente.
E não faz de nós nada que não seja tudo.
Porque o infinito está em nosso peito,
roça e cresce porque deseja
-coça e coça-
formigas irradiantes que buscam a sobrevida.
Maleantes ou não
No estreito extremo extrospectivo
que que possui o direito de existir
Não como como,
Mas como é.
Assim desejamos e corremos no instante brilhante
Que não decifra, mas brinca,
No intervalo entre o correto e o incorreto,
Concreto e in-concreto,
Onde imprecisamente, tudo é mais gostoso.
A festa atesta.
E viva o tesão comprometido
Com a minha e a tua vida.
“Hard Sun”
irradiando em mim
era cada poro
vulcão em erupção
era o sal forte
enrijecendo o gosto
era osso quebrando
a qualquer vibração.
vista bonita
de alto de morro
espirro espirrado
fome de almoço certo:
esse é o gostar
que eu quero,
é o querer
que gosto.
Pois
felicidade só
existe
se compartilhada.
“Society”
o pouco que buscamos
é muito
se qualidade quantizamos.
Nada é necessário, em última instância.
nessa vida
sempre quero
mais e além
ambição infinita
de tudo alcançar.
E o eterno esforço,
constante.
-auto mutação intencionante-
Por cedo ter descoberto:
quanto menos, mais.
E, no fundo,
uma incoerência:
teu Nada
ser meu Tudo.
Um canto ancestral percorre
montanhas em meu peito.
Sou todo essa voz
que uiva
ante a sombra que se
deita no pé
da montanha gelada,
e sou eterno.
Não há mais o que duvidar:
Em meu olho brilha
o sorriso do lobo.
Eu não caminho mais sozinho
pela terra.
Tampouco serei o último
à caminhar.
Começo a entender
que o fim da estrada
é a linha que separa
o mundo do não-mundo.
O que é mundo para eles
e o que é mundo para mim
(e para tantos outros...)
O que para eles é temor
E pra mim é motivação.
Onde a lua é mais lua
Onde as horas não se contam
E onde o homem é posto
em seu devido lugar.
Viva McCandless
Viva Thoreau
Viva Hemingway,
Caeiro e todos
os povos da floresta!
A humanidade tentou
em vão
dominar a natureza
se esquecendo
que é parte orgânica
e inseparável dela.
“Guaranteed”
Te parece um arfar de pulmão,
um ribombar de vento que enche velas de caravelas,
dentro de si, um clamor por liberdade?
O homem procura, antes das chaves,
a consciência de que as gavetas existem.
O que há dentro da escarpa facetada, nossas mentes,
que nada escondem mas exigem uma profusão de questões
e ainda um expressar-se, mesmo que inseguro?
Não ser, mas sentir-se.
Essa força saborosa causa deleites formidáveis
nos que já caminham de pé
e se esqueceram do prostar-se ajoelhado e improfícuo.
Atração e repulsão.
Agora seremos todos os lugares,
porque as regras foram engolidas,
as regras se afogaram na ira da enchente incompreendida
no mistério dos iluminares que foram impensados:
Nós.
Eu te compreendo,
com ou sem jeito, o que vale é tua intenção atrevida.
E nesse ir e vir de conhecimentos mútuos
sei que me compreendes e acende em teu peito,
que já não é somente teu, tampouco somente nosso,
a chama da verdade de tua existência.
Concebes, teus pensamentos são puros
e nas corredeiras das infinidades que escorrem pelos encantos de tuas selvas,
encontro um jeito de ser.
E já não somente sou.
Agora estou.
Sem ocultar em mim nada que exista,
proclamo o inexistente, clamo pelo instante,
e sinto orbitando em mim tudo que está por vir.
Indignados, alimentemos nossos exageros característicos,
se assim feito, vos garanto:
nessa senda encontraremos todos os destinos
e eles aceitarão, felizes, a liberdade.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Umberto Eco
sexta-feira, 29 de maio de 2009
são ilusão,
escrevo e percebo:
enquanto a caneta se move
no papel,
o pensamento encontra
o coração
e o passado já
não é passado nem futuro nem
presente.
É movimento,
somos movimento,
a palavra, a tinta,
o universo e alguém barbudo
que tenta olhar para o
papel, a janela e o infinito
ao mesmo tempo.
Quando a caneta encontra
o papel,
eu encontro palavras já escritas noutros cadernos,
mas tudo é Uno,
tudo é junto
(nós nunca estivemos separados)
e posso então acrescentar,
visto que não tenho mais a mesma
raiva no coração que tive outrora,
pequenas palavras
num certo verso antigo:
Scripturire
no interior
de meu corpo
interior.
E o Fugere Urben
passa a ser algo externo:
eis a ironia e a aventura
da vida.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
-Seca-
Banhado de incertezas
meu regato consumi até o fim,
sem sequer consultar as belezas
que davam provisão.
Tudo que agora queria
era compartilhar a força cintilante
que não deixa meu amigo terminar o dia.
Quem sabe não seria a poesia
algo que impulsionaria meu pulso
a encontrar o oceano que trago
nas funduras.
Só faltaria a misteriosa força centrípeta
que condenaria todo o pútrefo pântano lodoso,
ao qual não escapa um triz da carne
que carrego nessa carcaça errante
cheia de desastres astrológicos
e pipas concertantes prendadas por crianças inocentes,
à dissolução completa no mar que se esconde
em fragmentos.
Tento chorar na esperança de poder
nas lágrimas me banhar.
É gota a gota que se descobre
o fel da imensidão vazia.
É gota a gota que se sorve o mel
dos colossos invisíveis.
As palavras secaram,
mas basta um olhar mais preciso
para notar que a compreensão nunca se esgota
e que se organizar e divertir nunca é vão.
O mistério da poesia é assim:
natureza errante dos cosmos da memória humana;
acabou a água do mundo,
no entanto,sequer começamos a desvendar os oceanos.
de flor de abacate
passarinho sem ninho voando
palavra gostosa de ler
e de levar.
traço de traça troncuda,
tracejando trilho de trem;
solzinho mansinho da manhã,
ocaso acaso opaco (poente poento).
uva carnuda, que delícia!
versos matutinos, que bons de ler!
confraternizações imaginárias!
sereno das noites de chuva iminente...
ponho meus sentimentos
pelos amigos em tudo
presto homenagens ontológicas
planto sementes no céu
para que eles colham frutos maduros
e colho também
os que eles plantam.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Capítulo 7 - O Jôgo da Amarelinha - Julio Cortazar
Me olhas, de perto me olhas, cada vez mais perto e, então, brincamos de cíclope, olhamo-nos cada vez mais perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam entre si, sobrepõem-se e os cíclopes se olham, respirando confundidos, as bôcas encontram-se e lutam dèbilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua entre os dentes, brincando nas suas cavernas onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se nos teus cabelos, acariciar lentamente a profundidade do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a bôca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragrância obscura. E, se nos mordemos, a dor é doce; e, se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já eciste uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu te sinto tremular contra mim, como uma lua na água."
quarta-feira, 20 de maio de 2009
A palavra verdade
Sentir aquele gozo inexplicável
Do mijo quente perpassando a uretra
E, ao dirigir-se ao espelho, como sempre
Dessa vez vai querer quebrá-lo
Acabando assim com a cultura da vaidade.
Mas, num ato de agressividade contida
Que é o verdadeiro significado da palavra elegância
Vai pendurá-lo no ar do lado de fora da janela do banheiro
Desconsiderando assim a lei da gravidade
Que por sua vez, não é verdadeira.
Você vai vestir-se exóticamente
(Pois pelado seria instantaneamente preso):
Chapéu de caçador e tapa-olho de pirata,
Paletó com bolinhas e gravata cor-de-rosa,
Calça boca-de-sino rasgada e sapato furado.
E então vai sair na rua.
Você vai andar e agir estranhamente
Cantar e rir em voz alta
Mostrando indiferença pela opinião dos outros.
Não obstante, vai dar "bom dia" a todos,
Pedir licensa quando for necessário
E ajudar se alguém derrubar algo no chão
Pois você não é juiz da vida alheia, como eles.
Você vai ser negro, mulher, judeu
Homossexual, Sem-terra, cadeirante,
Criança, muçulmano, africano,
Alcoólatra, mendigo, travesti,
Idoso, indígena, drogado,
Pobre, mulato, latino-americano.
Vai ser julgado e condenado a ser julgado
E vai aguentar, fazendo da sua vida uma triste,
[mas linda história.
Você não vai querer impor a sua opinião
[a ninguém.
Mas vai estimular as pessoas a refletirem,
[questionarem,
A não aceitarem verdades prontas.
Você vai às igrejas, aos bancos, às escolas,
aos postos de saúde, shoppings e às
praças públicas.
Você vai debater sobre a justiça das leis,
Sobre o monopólio de interpretação dos textos
["sagrados",
Sobre a idoneidade da história dos vencedores,
Sobra a inquestionalidade da ciência,
Sobre a biologização da medicina,
Sobre a arte pela arte,
Sobre consumo e capitalismo,
Sobre a gritante infelicidade em que vivemos.
E então você vai à prefeitura, à câmara,
ao senado ou ao palácio (quanta pretensão!)
[do governador
Para demonstrar todo o seu desprezo pelos
[burocratas
Gritando palavras de ordem num alto-falante
Entoando canções de liberdade
("Enquanto os homens exercem seus podres
[poderes...")
E cobrando humanidade em seus governos.
Depois vai cobrar de si mesmo que não se
[acomode.
Por fim você, já cansado, sujo e cheirando mal
Vai a um restaurante da alta sociedade
Onde famílias perfeitas estarão jantando
Na mais perfeita harmonia: música ambiente,
Ar condicionado, comida sofisticadíssima
E vai provocar pânico só de entrar no recinto
Fazendo com que mulheres finas percam a posse
[(e se aterrorizem)
Com que pais e filhos mais velhos fechem os punhos
[embaixo das mesas
E crianças com que fiquem... curiosas!
Você vai ignorar os funcionários tentando abafar a situação discretamente vai escolher uma mesa próxima que tenha uma criança e BEIJÁ-LA NO ROSTO antes que venham as mãos que vão puxar segurar e bater e os pés no chão verá o pai da criança (QUE PARECE EM ESTADO DE CHOQUE) cochichar alguma coisa no ouvido do gerente e então será arrastado até a porta dos fundos e será executado.
Como último e derradeiro protesto
Você não estará vivo para ver o seu caso não virar
[notícia na TV e nos jornais
Que você considerava o perfeito exemplo
De como a humanidade ainda não está comprometida
[com a palavra verdade.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
sobre essa pedra edificarei
Tu és Pedro ou Simão?
Ó príncipe dos que crêem no poder da palavra!
A palavra é mais poderosa e projétil que o pensamento.
Ela dizcrve e propaga o que antes era lâmpada acesa dentro da cabeça i d é i a
Um sentir que sempre pode se revelar.
E se tu és Pedro não temas a Pedra que há em teu peito
Pois ela é
ostra, ou ainda, astro
a tua substancia essencial oh
Eixo Igreja
pé perna bacia coluna crânio coluna bacia perna pé osso
fóssil
fasquia
Eu ia dizer tronco.
Izcrvo com a licença dos meninos
Palavras silenciosas psiu
faz silêncio no meu coração
o meu silêncio
é izcrver desde muito pequena. Núscula.
Palavras....no calor da cama
ainda quentes e sonadas
vão acordando
e ainda assim quietinhas vou falando bem baixinho
acordem, acordem,
os meninos estão esperando!
terça-feira, 12 de maio de 2009
Nesse sentido segui as belas palavras do Pepo:
"Nessa utopia errante,
Quem for amigo, pode chegar.
Pois os momentos despendidos aqui
São de reconciliação com a vida."
Tudo que é poesia é bem vindo aqui. E para saudar essa "boa vinda" (govinda?), deixo duas parábolas do filósofo libanês Mikhail Naimy, só porque é boom pensar:
"Se os reis se virassem de cabeça para baixo, as coroas seriam sapatos e os sapatos coroas."
"No dia em que emprestares uma libra a teu vizinho, sentindo que és o devedor e ele, o credor, nesse dia começará tua vida como homem."
Saudades, sempre.
Ana, que seu sopro venha somar nessas falsas distâncias e nos ajude a expandir esse vento geral que se esconde dentro da gente.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Sabiá com trevas.
Indivíduo que enxerga a semente germinar
e engole céu
Espécie de vasadouro para contradições
Sabiá com trevas
Sujeito inviável: aberto aos desentendimentos
como um rosto
(Glossário de transnominações em que não
se explicam algumas delas (nenhumas) -ou menos)
- Manoel de Barros -
eis.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Aos amigos
Caralho, vocês fizeram puta falta na virada cultural. Em grandes momentos ficava pensando "nossa, imagina se não sei quem estivesse aqui!", e "esse não sei quem" várias vezes era um "não sei quem" falsamente distanciado. Depois preciso contar sobre a TV Aberta, de repente a gente pode fazer uma aglutinação de trabalhos paulistas, interioranos e campo grandenses e ficar famosos no mundo inteiro, quiça intergalacticamente!
Mas eu não entrei aqui somente com um propósito nostálgico. Entrei também com uma proposta um tanto ousada e evidentemente complexa se observada a fundo. É o seguinte: tem um prêmio de poesias nesse site http://www.talentos.wiki.br/pagina.php?Tipo=2 e os três primeiros colocados ganham uma boa milhafa de reais. O detalhe é que eu confio universalmente na gente e tenho certeza que a gente ganha. Eu quero propor para vocês que nós participemos os quatro (viu muma?) e que se houver um ganhador nós guardemos essa grana como nosso dinheiro, um dinheiro comunitário que será usado para fazermos algo realmente foda que seja de total acordo entre nós. Um evento, de repente. Um encontro, de repente. Um ateio de fogo nas notas no meio da av paulista, de repente. Uma doação, de repente. Uma festa, de repente. Uma esbórnia, de repente. Uma VIAGEM, de repente. Ou melhor, uma viagem completa, tudo o que fazemos são viagens! Ou então a gente poderia gastar tudo em álcool e drogas e ficar de boa.
Se vocês acharem meio tenso a gente pode pensar em lance de porcentagens, por exemplo: eu ganhei o prêmio então fico com 50 por cento e o resto fica para nós. Mas sei lá, se pá eu prefiro o lance desse desapego individual e um apego na nossa pseudo-comunidade blogástica - parceria de fascinação ; fasceria de parcinação. É foda, vamos pensar, não temos muito tempo!
Que tal?
Abraços sempre saudosos,
do eterno Pedruschi.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Uma postagem bêbada às 04:10
Efêmero e insolúvel, brilha atordoante
No eterno que nos cerca.
O acontecimento encerra
dentre o devir de instante
e o entrevir momentâneo
o inferno que cerca os
umbigos errantes.
As certezas são infernais,
preferia não tê-las,
mas a realidade bate em minha porta
e eu já não sei mais não amar.
Está tudo bem, fora a clareza
das certezas amargamente ocultas,
e não sei nada além.
Como amar?
Pergunta fulha da puta,
Faça-me ao menos divertir
e estontear.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Espontâneo, mas nem tanto
Não vou dormir
Enquanto
Não escrever uma
Poesia.
Que força é essa
Que não me deixa
Terminar o dia?
-------------------------
O tempo todo vejo matéria poética de todo tipo se revelando diante dos meus olhos e dos outros sentidos e não faço nada só esperando o meu devir poético se manifestar também.
-------------------------
Hum.. Eu não pedi autorização pra ele, mas acho que vocês devem ler os contos do Tunico. São bons de lascar. É no http://escritosdoacaso.blogspot.com/. Se der deixa o link no corpo do blog, Druschi!
-------------------------
Os dois textos em itálico eu escrevi ontem a noite. Eles entram parcialmente em choque com o que eu gostaria de propor a vocês, visto que exaltam a espontaneidade da poesia. Quero lançar um desafio e saber se vocês topam: que a gente escreva releituras poéticas de discos que nós todos gostamos. Cada um pegaria algumas músicas, e por fim juntaríamos o álbum mastigado, engolido e vomitado no blog. Ah, os títulos das músicas permanecerão nos poemas. Daí, em torno do que a temática da letra propõe, acontece a viagem à maneira e de acordo com as vivências, experiências, e opiniões de cada um. No caso de músicas instrumentais, vai no feeling!
Acho que propor temas tira parcialmente a espontaneidade, mas também acho que podem e vão sair coisas bem legais dessa proposta, se vocês gostarem. Um porque isso vai incitar a nossa reflexão em torno dessas temáticas que as músicas propõem, e outro porque vai pôr a prova (e aprimorar) a nossa capacidade de discorrer sobre essas diversas temáticas.
Eu pensei em dois álbuns pra começar o desafio. Um deles é o Into the Wild, do Eddie Vedder, obviamente, e o outro é o Dark Side of the Moon, do Pink Floyd.
E aí, o que acham?
--------------------------
Muma?
--------------------------
Tô indo pra Corumbá amanhã, compañeros. Deixo vocês com essa pulga atrás da orelha e volto domingo. Hasta!
terça-feira, 28 de abril de 2009
.
que anda pela casa
da braços cruzados
e pés gelados,
este ser
incompleto e nu
por dentro de vestes brancas
anda pela casa como o monstro
anda em seu labirinto.
faminto e entediado.
só
e desacontecido.
espera a chegada de
alguém impossível.
espera a partida
para um lugar impossível.
ESTE SER NÃO SOU EU.
(continua...)
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Kafka
Nesse exato instante termino a leitura do livro "Kafka à beira mar" do Haruki Murakami.
Sem titubear me tornei para esse espaço que me assegura um canto de alma que desconheço, mas reconheço em prazer e divergencias que fazem parte das consistências da existência.
Enfim, acabo de atravessar uma tempestade de areia, e recomendo a vocês meus bróders essa leitura absolutamente fantástica que é a viagem pelo mundo de um garoto de 15 anos que está à procura de.
"Quando meu décimo quinto aniversário chegar, sairei de minha casa e irei para uma cidade distante e desconhecida, onde vou viver numa pequena biblioteca".
Abraços, Pedruschi.