os momentos despendidos aqui são de reconciliação com a vida

sábado, 19 de agosto de 2017

Presente feito de presentes

Para o mano eterno
Druschi
Que na vida quer construir
coisas
Sem saber que já constrói
A cada segundo de amizade
Um poema
Entre nós








quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Fobofobia

todos os medos
exagero.
vários medos
não sei lidar

tudo se resumia
a administrar um medo apenas.
que
em suma
era a rolha de todos os outros.

respeitando a metáfora
comecei a bebê-los
de gole
e a sensação foi boa.


sem prescrição
nem bula
tomei uma dose cavalar de medos.

das duas, uma:
ou eu morro de medo, duma vez
ou paro de ter tanto medo de medo.

quem tem Pedro, não tem medo?


La Paz, 11 de janeiro de 2017

domingo, 18 de dezembro de 2016

tornar o excruciante costumaz
trepidar
            trepidar
                        trepidar
verter poema-vertigem.

comigo
tudo árido, obrigado
mas as botas estão encharcadas
há três estações.

vertigem onírica:
terraço estreito
mal me cabe
ventos em todas as direções
sem grades de proteção.

trepido no vácuo
verto verso-chão.

sem poesia
tudo parece distração, mesmo.

tornar o excruciante costumaz
trepidar
            trepidar
                        trepidar
que nem trompete de hard bop.









segunda-feira, 25 de abril de 2016

respirar






hádefatopoucoespaçopra
respirarseeuocupotudocom
aminhanóia







*





falando em respirar,
que fita que é envelhecer
e quase não aguentar mais
de um fôlego só

escrever poema.

domingo, 24 de janeiro de 2016

23.01.16

Eis que me deparo
uma vez, de tantas
vezes mais

aqui, com um
digitar tudo errrado
ébrio
e saudoso

voluptuoso

corpo embebido de lembranças
corpo embebido
de ideias

corpo embebido

e saudade.

Me frustro anualmente
pela dificuldade do encontro
presente
que outrora foi tão fácil
e me questiono:
será isso ser adulto?
Assim, atarefado?
Assim, enfadonho?
Assim, ensimesmado?

Não, algo em mim ruge.

Não!
Que não deva ser
somente o esforço
sem regozijo
sem acalento
sem diversaão

Não!

Posto que,
desde sempre,
já por mim dito

"minha felicidade
não seria nada
sem vocês"

hoje se faz explícito
e necessário.

Eu que de tão vário
me perco,

hoje me encontrei
em vocês,
em nossos passos,
em nosso cantares,
em nossos sabores,
em nossos amores,
em nossos nós.

Lhes desejo todo
o saber ser alegre
sem se perder de si
e sem se privar
de encontrar o outro.

Lhes desejo
profundamente
o saber se ouvir
e se conhecer.

Lhes desejo
guturalmente
o sentir

para que se viva
mesmo o não,

com sorte,
o sim, de nossos
passos
sem dó nem
dor.

Que não nos percamos
nunca
de nós mesmos,
mesmo que estes se
transformem

[e é bom que se
transformem
sem dó nem dor.

Lhes desejo
a força
e a ousadia
para se lembrardes
de si,

e vos peço
que me ajudem
a nunca esquecermos
de nós.




sábado, 22 de agosto de 2015

Poema que recebi de presente de aniversário do Julian

Leão do Parthenon
Ruge o leão que pedala
O povo se reúne quando fala
O camarada que tem o Sol na mandala
Nos palcos do mundo ecoa
O som vibrante de sua guitarra infernal
E no peito de músico ressoa
A essência sonora do amor Saturnal
Nos casos e causos o rei se inspira
E o vermelho das massas conduz seu caminhar
Saci, Cartola e Curupira
Vêm à vosso Reino acalentar

quarta-feira, 29 de abril de 2015

cago

"cago"

cago

hoje eu cago um poema
pra você

pra ele, pra ela
pra nós

que parte fazemos do todo?
que parte fazemos da merda?

cago, sem dúvida
cago, mas hoje

um poema

que não saía mais de minhas mãos, dedos
canetas

boca, olhos,
pinto ou buceta

hoje me sai um poema
é do cu

pois não me resta outra saída
pra falar

do desencontro entre o que eu gostaria
que houvesse no mundo
e o que há

especialmente no brasil
são paulo, minas
paraná
sertão
rios, matas
e o mar

e ainda
a atualíssima
piada
do protesto pela
militarística intervenção
sendo tratado cordial e
heroicamente pela televisão,

enquanto o protesto
em prol de uma melhor
educação
é militaristicamente
escurraçado

ah, essa piada
me arranca lágrimas
mil lágrimas
porém
sem nenhuma risada

por isso hoje cago
esse poema-petardo

pra ti, pra eles
pra mim, pra todos

para o absurdo que é
esse lugar que vivemos

que se quer
bater humilhar matar
matar matar
e só depois talvez prender
jovens

muito antes de criar
a condição
para que sejam
outros que não
bichos bandidos,
bons-bandidos-mortos

muito antes de criar a condição
para que sejam humanos

e desse modo
fazemo-nos também
desumanos

por isso hoje cago
cago
cago
cago

um poema-soluço

e espero
com irônica e talvez egoísta
raiva
eu espero
que não me estoure
a hemorróida