sexta-feira, 31 de julho de 2009
outra das férias
terça-feira, 28 de julho de 2009
Excerto de conto que nunca escrevi
Um gran finale, sem dúvida.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Recolocadas as rodinhas em meus pés (outra no ônibus para campo grande)
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Postagem com calor na barriga
as palavras
que vivemos e não sabemos.
as palavras que sabemos
e ainda não vivemos.
palavras que desconhecemos.
Gluck.
Shoshin.

Auguri.
Ífe.
palavras que pintamos
nas ilhas,
nas vidas,
nas voltas.
Do.

nossas vidas,
palavras.
Kotoba.

silêncio
e homem.
palavra.
旅人
(tabibito)
viajandante,
sempre sempre,
andarilho.
vamos em frente,
vamos em frente.
terça-feira, 14 de julho de 2009
no buzão indo pra campo grande
desfigurado vou
a lua em meus pés
sou um lance de dados
com a lua em minha tez
sinto agora o revéz
alto, por longe ter vislumbrado
tudo são sombras
que voláteis passam
vorazes semelhanças
com o odor que escorre
no peito angustiado
comigo não vou só:
a lua me abre
todas as possibilidades
e me faz nada aquém
de névoa ou oceano
ou seja,
atingi meu destino
mesmo que provisoriamente
sou agora
deus de mim mesmo
Postagem com frio na barriga
ou num salto de asa delta
quem sabe até numa carícia às escondidas
inauguro em mim o estado de incertezas
no qual sempre vivi
entrecaminhos que se postam
reporto a imagens de outrora
para ter certeza do que fui.
penso em escrever um soneto,
algo com estrutura, um sopro feito,
para garantir a sutura
dos pensamentos.
ia dizer custura, teia,
imagem que nasce da crença
na descrença, uma tecelagem de carnes
todas a ponto de prazer ou putrefação.
a linha é tênue.
todas as linhas são tênues,
porque o todo é único e tudo é o mesmo.
não sei onde estás, mas sei
que me ensinastes também
a ser viajante.
preferia dizer viajandante.
nada como um sorriso amigo
que vem ao meu encontro
sempre que carrego no bolso
do rosto
um imenso abraço
gratuito no desembaraço
que constitui as relações humanas.
busco recompensas, talvez uma ilha,
um reino, que há de me bastar.
dando voltas afundo revoltas
e chego a descobrir, na beirada do triz,
o sentido de amar.
ó mar salgado,
quanto do teu sal são lágrimas minhas
que derramei de olhos fechados.
a ilha está na testa,
e o olho está na ilha.
atino, atesto, o olho, a ilha.
daremos a volta
e depois de voltearmos tudo
só nos restará uma possibilidade:
o retorno.
o retorno que não passa,
não escapam eiras nem beiras,
do compromisso que temos para com nossas vidas.
E, aqui, meus amigos, para com as palavras,
que tanto estimamos.
Auguri, Pedruschi.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Postagem às escondidas
Postei-nos.
E por postar-nos,
comecei-me.
Ser eu novo.
Ser um novo nós.
Seguindo o vôo das araras.
Rasgando as águas dos rios.
Riscando todos os mapas.
Comecei-me.
Por que não começai-vos vocês também?
sigam o caminho que quiserem logo abaixo...
domingo, 5 de julho de 2009
Postagem espontânea
quarta-feira, 1 de julho de 2009
O poema específico de Rilke (com duas traduções)
Rainer Maria Rilke
(Trad. Augusto de Campos)
De tanto olhar as grades seu olhar
esmoreceu e nada mais aferra.
Como se houvesse só grades na terra:
grades, apenas grades para olhar.
A onda andante e flexível do seu vulto
em círculos concêntricos decresce,
dança de força em torno a um ponto oculto
no qual um grande impulso se arrefece.
De vez em quando o fecho da pupila
se abre em silêncio. Uma imagem, então,
na tensa paz dos músculos se instila
para morrer no coração.
A PANTERA
Rainer Maria Rilke
(Trad. Geir Campos)
Varando a grade, a nada mais se agarra
o olhar tomado de um torpor profundo:
para ela é como se houvesse mil barras
e, atrás dessas mil barras, nenhum mundo.
Seu firme andar de passos gráceis, dentro
dum círculo talvez muito apertado,
é uma dança de força em cujo centro
ergue-se um grande anseio atordoado.
De raro em raro, só, o véu das pupilas
abre-se sem ruído — e deixa entrar
a imagem, que sobe, pelas tranqüilas
patas, ao coração, para aí ficar.