Tenho andado muito deitado ultimamente.
Apesar de meus ouvidos sorrirem ao som da chuva, e de minha pele se apaixonar pelo acalento das cobertas mornas, certas consciências que inda não calam a boca não me deixam em paz.
Me pergunto se não é depressão preferir a cama ao convívio social.
E no entanto anseio por músicas e danças, gente pelada e cantoria, exposição e entrega.
Serei eu mesmo este ser que se deprime dançando em sua cama ao som da chuva?
Se bem que são todos eu (como li certa vez num livro com um macaco na capa). E eu sou nenhum.
A chuva aumenta o volume, o coração aumenta o volume, a mão aumenta o volume da escrita: ganhei algumas palavras de presente.
Certas ousadias brincam com o pensamento. Fazendo-o arma, sagrado veneno.
Quando meu pensamento piscina e a chuva enche, saio da cama para nadar.
os momentos despendidos aqui são de reconciliação com a vida
sábado, 29 de agosto de 2009
terça-feira, 18 de agosto de 2009
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
versinho que o fran me ensinou
Bebo
não é por vício
não é por nada
Bebo
pois no fundo desse copo
encontro o retrato da mulher amada
E se não bebo até a última gôta
a desgramada morre afogada.
para não perder o costume (dos escritos madrugadores)
pois eis-me aqui, nu.
já o tempo é, antes de tudo, por si.
carrego algo que não sou possível de conceber.
talvez você esteja certa: eu realmente não tenho controle sobre o que falo.
poeticamente, descubro vãos que nascem em meu coração.
e se já não sou nada além de mim, me resta ser tudo.
essa minha eterna prepotência de nada se diferencia da sua.
porque nós somos o mesmo, só por prazer.
por tesão.
pois desconhecemos o mundo, e o mundo em nós,
ao menor ensejo único, descobrimos.
prazer, eis-me diligência.
já soube sair de mim, só para amar.
mas confunde-me algo:
as fronteiras entre amor e prazer.
e eu já anuncio minhas certezas.
a todo mundo,
e ao blog.
eis-me, certo, acontecido:
eis-me,
só me falta que me vejas.
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