"O mar é o meio, né mãe?
como assim o meio, filho?
ele começa na areia e termina na areia...ele é o meio."
os momentos despendidos aqui são de reconciliação com a vida
domingo, 11 de novembro de 2012
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
tentando descobrir o pão
de todo e cada dia
aquele mesmo que teu pai
colocava na tua mão
de todo e cada dia
aquele mesmo que teu pai
colocava na tua mão
mas não com o mesmo gosto
de dia-a-dia doloroso
os mesmos ovos amassados
com o áspero sabor do gasto
sim aquele sabor inventado
o mesmo que te desvirginou
ambíguo, árduo, ingênuo resíduo
permanente fogo calado
aquele deslumbramento inimaginado
do poema que pariu sentimentos
riso coeso, curso denso
intenso caminho, na vertigem do calado
amassa, cose, repara, agita, cola e inventa
ninguém vive só de imaginação:
relação, agremiação, penetração ou ignição
só a criança e o poeta
de dia-a-dia doloroso
os mesmos ovos amassados
com o áspero sabor do gasto
sim aquele sabor inventado
o mesmo que te desvirginou
ambíguo, árduo, ingênuo resíduo
permanente fogo calado
aquele deslumbramento inimaginado
do poema que pariu sentimentos
riso coeso, curso denso
intenso caminho, na vertigem do calado
amassa, cose, repara, agita, cola e inventa
ninguém vive só de imaginação:
relação, agremiação, penetração ou ignição
só a criança e o poeta
quinta-feira, 28 de junho de 2012
lembranças voam como pássaros
espreitam lobos em bosques infantis
inventando realidades à margem
dos personagens principais
lembranças pousam nas paisagens
esboçam mundos num triz
inventando personagens principais
nas margens das personalidades
cores tênues, esboços de matiz
correm soltas no subjeto indefinido
criações transcendentais, universais
do incerto
que nasce do instante
epifânico.
espreitam lobos em bosques infantis
inventando realidades à margem
dos personagens principais
lembranças pousam nas paisagens
esboçam mundos num triz
inventando personagens principais
nas margens das personalidades
cores tênues, esboços de matiz
correm soltas no subjeto indefinido
criações transcendentais, universais
do incerto
que nasce do instante
epifânico.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
terça-feira, 15 de maio de 2012
Carta para Manoel de Barros
Escuto a cor dos peixes.
Essa vegetação de ventos me inclementa.
(Propendo para estúrdio?)
O escuro enfraquece meu olho.
Ó solidão, opulência da alma!
No ermo o silêncio encorpa-se.
A noite me diminui.
Agora biguás prediletam bagres.
Confesso meus bestamentos.
Tenho vanglória de niquices.
.............................
(Dou necedade às palavras?)
- M. de Barros
Essa vegetação de ventos me inclementa.
(Propendo para estúrdio?)
O escuro enfraquece meu olho.
Ó solidão, opulência da alma!
No ermo o silêncio encorpa-se.
A noite me diminui.
Agora biguás prediletam bagres.
Confesso meus bestamentos.
Tenho vanglória de niquices.
.............................
(Dou necedade às palavras?)
- M. de Barros
"Dou necedade às palavras?"
Por dizer de escutar a cor dos peixes, diz-me conseguir captar a vida de suas cores, de seus desenhos brilhantes n'água, e se fazes isso, não importa então qual o sentido - vai além dos olhos a beleza, e em teu caso, chegou aos ouvidos.
Se biguás prediletam bagres, talvez seja por também os escutarem as cores.
Se dás necedade às palavras, não sei, depende.
Se necedade for despí-las de seus usos robustos e imóveis, que agradam à todos justamente por não dar nada de novo, então sim.
Se necedade for (e talvez seja, meramente, para alguns) empobrecer as palavras, tirar-lhes a força e beleza, então não. Muito pelo contrário.
Dás, num certo sentido, opulência - riqueza, engrandecimento de vida, não frivolidade.
Mais, não sei.
De qualquer maneira, te aplaudo, com meus silêncios.
Nada além
do que nem soube que sou
mas que sempre fui
sem saber que sendo
era um eu leviano
e bom,
por não saber de nada
por não querer ser nada,
e ao mesmo tempo,
por ousar ser tudo.
Hoje me confundo um pouco,
mas também sinto
uma outra importância:
Ser o melhor que posso
para mim e pros outros,
sem querer nada em troca.
Nada em troca.
Não quero nada em troca.
De resto, cuidar
para não queimar na confusão.
Chega uma merda duma idade
em que é praxe querer
sempre algo por outro algo,
mesmo que seja apenas para se sentir bem.
Não funciona,
poesia é antes
mais e menos
- ainda bem.
Sejamos,
sem nunca saber,
mas sentindo que somos.
do que nem soube que sou
mas que sempre fui
sem saber que sendo
era um eu leviano
e bom,
por não saber de nada
por não querer ser nada,
e ao mesmo tempo,
por ousar ser tudo.
Hoje me confundo um pouco,
mas também sinto
uma outra importância:
Ser o melhor que posso
para mim e pros outros,
sem querer nada em troca.
Nada em troca.
Não quero nada em troca.
De resto, cuidar
para não queimar na confusão.
Chega uma merda duma idade
em que é praxe querer
sempre algo por outro algo,
mesmo que seja apenas para se sentir bem.
Não funciona,
poesia é antes
mais e menos
- ainda bem.
Sejamos,
sem nunca saber,
mas sentindo que somos.
terça-feira, 17 de abril de 2012
Autodidata
QUEM SOU EU
Autodidata
Intrépido e vário
Mistura de ranhuras e tons
Dúvida
E sonho de ação, apaixonamento
Tesão.
Lutas, berimbaus que viram armas
Fitas vermelhas, palha
Oriente.
Sabedoria que não cala,
Mas que não responde.
Nunca acalanto
nunca.
E apesar de saber ser eu mesmo
O único abrigo,
Sou meu único inimigo.
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