os momentos despendidos aqui são de reconciliação com a vida

segunda-feira, 15 de março de 2010

Escrevo porque...

não tenho que
eXplicar,
porque

...nem a mim,
nem a você

terça-feira, 9 de março de 2010

abre aspas

"O Poema ajuda o homem a ser ele mesmo, ajudando-o a nomear e comunicar a experiência própria, ajuda-o a dominar a realidade que ameaça anulá-lo. Pois tão logo nomeamos exatamante as nossas experiências, e também as mais insuportáveis, os vemos a partir de sua outra extremidade, desde o humano até o coisificado: como se fôssemos livres de aceitá-los ou repudiá-los. por um instante tornamo-nos sujeito, e não objeto da história."

(Hilde Domim - Para que, hoje, poesia lírica?)

quarta-feira, 3 de março de 2010

Hoje eu tomei um expectorante de palavras
Pra ver se conseguia tossir
Todas essas que estavam congestionando
A minha existência.

A fluência não é a ideal
A despeito da fruição;
Se de um lado sobra resignação
Do outro falta fluorescência.

De certo só a submissão à cadência.
Quero essência sem supressão!
Demência sem segregação!

(Forte tosse)
Pi...argh!
Piano!
Sodomia!
Oligopólio!
Sedimentação
Constipado
Sonolência
Entardecer
Gabarito
Santíssima
Majestade
Trindade
Abismo
Semáforo
Cânfora
Páprica
Sólido
Cômico
Cínico
Má-formação dos ossos.

Vou ali escrever um poema.

terça-feira, 2 de março de 2010

chegando em casa quero escrever um poema

de salvação

já não tardo a levantar

quando caio

meio peito é como suor

gota que escorre

pouco a pouco

cascata ao contrário

só para rimar.

meu peito é suor

suor vertido

por amar

pra caralho.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Uma da "crise de inspiração"

Em tempo, não acredito em inspiração. Só não tenho gostado das coisas que tenho escrito ultimamente!
Agora, ao que interessa:


Conselho


Para Wim Wenders



Entortas uma colher
Como quem entorta uma vida.
Deitas com escárnio
E ris
Tal qual um pagão.


Te enamoras de um passarinho
Para depois esquartejá-lo.
Maldizes tua mãe
Sempre que vai para a Venezuela.


Larga
Essa máscara covarde da indiferença
E sê simples
Como um ribeirinho.


E como ele
Sê calmo.
Liberto.
Te senta na beira-rio
E lava estes pés sujos n´água.


Colhe acerolas suculentas nas árvores
E deleita-te com seu viço
Contempla a cidade vil
Com a nostalgia dum ancião.
Sente a vida entrar em cada poro
E te apaixona.
Sê homem!
Sê gente!
Sê um tanto inconsequente!


Vive como um anjo
Que jamais encarnou.


Ps.: Acho que os tempos verbais devem estar todos errados. Foda-se.







quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

entre as clareiras do corpo
suspira, o carnaval finda
insistem cinzas ainda
deixando um cheiro de morto

faço da chance um cinzeiro torto
se mostra a mim uma chance linda:
que a poeira da festa advinda
pudesse transmutar-se em conforto

sem dar nome aos bois
mantenho-me sem qualquer meta
sem medo do que pode vir depois

minh'alma permanece inquieta
e não sou mais um, tampouco dois;
algo como uma eternidade incompleta.


porra

na moral
não preciso de um poema pra dizer
o que está na cara

e vocês, precisam?
que tal uma cara para dizer o que está no poema?
onde estão as palavras?

apatia não é comigo.

e eu vou botar fogo nesse blog.