os momentos despendidos aqui são de reconciliação com a vida

domingo, 24 de janeiro de 2016

23.01.16

Eis que me deparo
uma vez, de tantas
vezes mais

aqui, com um
digitar tudo errrado
ébrio
e saudoso

voluptuoso

corpo embebido de lembranças
corpo embebido
de ideias

corpo embebido

e saudade.

Me frustro anualmente
pela dificuldade do encontro
presente
que outrora foi tão fácil
e me questiono:
será isso ser adulto?
Assim, atarefado?
Assim, enfadonho?
Assim, ensimesmado?

Não, algo em mim ruge.

Não!
Que não deva ser
somente o esforço
sem regozijo
sem acalento
sem diversaão

Não!

Posto que,
desde sempre,
já por mim dito

"minha felicidade
não seria nada
sem vocês"

hoje se faz explícito
e necessário.

Eu que de tão vário
me perco,

hoje me encontrei
em vocês,
em nossos passos,
em nosso cantares,
em nossos sabores,
em nossos amores,
em nossos nós.

Lhes desejo todo
o saber ser alegre
sem se perder de si
e sem se privar
de encontrar o outro.

Lhes desejo
profundamente
o saber se ouvir
e se conhecer.

Lhes desejo
guturalmente
o sentir

para que se viva
mesmo o não,

com sorte,
o sim, de nossos
passos
sem dó nem
dor.

Que não nos percamos
nunca
de nós mesmos,
mesmo que estes se
transformem

[e é bom que se
transformem
sem dó nem dor.

Lhes desejo
a força
e a ousadia
para se lembrardes
de si,

e vos peço
que me ajudem
a nunca esquecermos
de nós.




sábado, 22 de agosto de 2015

Poema que recebi de presente de aniversário do Julian

Leão do Parthenon
Ruge o leão que pedala
O povo se reúne quando fala
O camarada que tem o Sol na mandala
Nos palcos do mundo ecoa
O som vibrante de sua guitarra infernal
E no peito de músico ressoa
A essência sonora do amor Saturnal
Nos casos e causos o rei se inspira
E o vermelho das massas conduz seu caminhar
Saci, Cartola e Curupira
Vêm à vosso Reino acalentar

quarta-feira, 29 de abril de 2015

cago

"cago"

cago

hoje eu cago um poema
pra você

pra ele, pra ela
pra nós

que parte fazemos do todo?
que parte fazemos da merda?

cago, sem dúvida
cago, mas hoje

um poema

que não saía mais de minhas mãos, dedos
canetas

boca, olhos,
pinto ou buceta

hoje me sai um poema
é do cu

pois não me resta outra saída
pra falar

do desencontro entre o que eu gostaria
que houvesse no mundo
e o que há

especialmente no brasil
são paulo, minas
paraná
sertão
rios, matas
e o mar

e ainda
a atualíssima
piada
do protesto pela
militarística intervenção
sendo tratado cordial e
heroicamente pela televisão,

enquanto o protesto
em prol de uma melhor
educação
é militaristicamente
escurraçado

ah, essa piada
me arranca lágrimas
mil lágrimas
porém
sem nenhuma risada

por isso hoje cago
esse poema-petardo

pra ti, pra eles
pra mim, pra todos

para o absurdo que é
esse lugar que vivemos

que se quer
bater humilhar matar
matar matar
e só depois talvez prender
jovens

muito antes de criar
a condição
para que sejam
outros que não
bichos bandidos,
bons-bandidos-mortos

muito antes de criar a condição
para que sejam humanos

e desse modo
fazemo-nos também
desumanos

por isso hoje cago
cago
cago
cago

um poema-soluço

e espero
com irônica e talvez egoísta
raiva
eu espero
que não me estoure
a hemorróida

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Saudade de nóis

"A experiência poética é uma revelação de nossa condição original. E essa revelação é sempre resolvida numa criação: a de nós mesmos.”

Octavio Paz, em O Arco e a Lira

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015


todo este não
saber me faz querer dizer que

tudo que não sei dizer
faz com que queira dizer que

o tempo passa
não passa
já passou
tá aqui só esperando
e a noite nem raiou

e o dia vem
nascendo todo negro
com meu amor dizendo
que não me quer

e se brilha uma nova estrela no peito afogado de mágoa que não cessa
o olho cheio d'água cintila mas não cega
de um passado cheio de vida
que brota vinga e mora
no presente que não era
é

e a noite vem
raiando toda em brilho
e o peito em estribilho
perde todo o ar

quando a lembrança
perde a esperança
de estar na dança
do coração

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Hoje, ao tentar comparar duas coisas aparentemente opostas, tive como resultado dos primeiros passos das comparações a certeza de que elas se distanciavam a cada pensamento, cada algo se territorializando em suas certezas, afirmando suas diferenças e como num movimento de definição de identidade se certificando de suas características. Depois, sem a menor possibilidade de entender o ponto onde uma transformação enevoada se deu em minha cabeça, a comparação morreu e me restou a certeza de que elas eram iguais, a mesma coisa. E que elas, iguais, mesmas coisas, geravam distâncias entre si, pariam distâncias entre suas crias e criavam disparidades que no acontecer se igualavam. Eu achei que aquilo era Deus.