os momentos despendidos aqui são de reconciliação com a vida

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Arte é contemplação.

Contemplar algo frente à tela em uma sala fechada é ausência.

Ausência é o fim do deslumbramento.

Só as drogas podem salvar as cidades.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

"Tempo, te dou memória de ti mesmo
pela mão do meu ser. Eu te dou tempo,
esta a tua verdade, eu que te invento
e te permito doer - e tu me mordes
e degradas o sol das minhas pálpebras
e me instigas feiuras escondidas
e esgarças a espessura do meu sono,
mas me vingo de ti, e quase te amo
porque nunca me gastas a esperança."

Thiago de Mello

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

NOVA POSTAGEM

novo nada tenho

todo sou arremedo interno
sem medo doquevinha doqueé doqueserá

intermezzo externo.

cada passo é eterno:

presente existe

passado sombra

futuro quem dirá.

cada qual com sua sacola
carrega o que pode; o sol de cada um brilha
giracantaereluz como um ponto
no ano-luz
que cala nas bocas errantes.

meu nome é adivinhação:
boa sorte.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Não, pequena,
tu não existes.
Quem sabe assim,
                           longe de mim,
pareças uma flor, um pássaro.

Mas tudo te reduz
perante os frenesis
que tua ausência faz nascer
em meu canto.

Ausência tua
ou de vôo que invento?

Não, pequena,
não te importes.

É belo por si
esse transis que,
se não arremedo,
ao menos desejo.

Ele reluz como um parênteses
(vazio)
e enche de ar um texto (DENSO) que não consegue se dar ao luxo,
sequer,
de vírgulas.

Me aduzes
e não saio de minhas cobertas.
Talvez a memória seja mesmo uma manta que aquece
e faz as células se re-inventarem.

Caminho nas bordas do mundo,
em um instante vou
do fundo à tona
da tona ao fundo.

Te ter,
mesmo não te tendo,
são pontes-pênsis moles
instáveis e belas
sobre o oceano das idéias.

No meio do caminho me perco
e, te encontrando vejo,
nas estranhezas humanas,
um oásis.
De escrever só tenho um medo:

é o saber que poderia ter transformado em palavras mais belas
a argila de meus sonhos.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Das palavras:
quanto mais as meço
mais nelas
tropeço.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

quero despender pouco do meu tempo aqui
e perceber se a eternidade que vejo ali
se estende caminhando por si
e põe em definitivo um pingo no i

quero me reconciliar com a vida
reconciliando brincando de ida
sem volta, por mais que esteja perdida
a incessante busca pela toada adormecida

em meu peito que canta e arde
e que sem cantar inventa um alarde
caminho orgulhoso, não covarde
reinvento a vereda serena pela tarde

carrego indelével beleza
que algures abate a certeza
de que amor se ama com clareza;
só tenho olhos para tua delicadeza

e se nada mais posso ver
não me importo em nada ter
quero tão somente reter
a chama que em mim inventas sem saber

nunca a vida é tardia
pois sei que teu corpo pelo meu ardia
num momento que simplesmente refletia
debalde energia que sempre renascia