os momentos despendidos aqui são de reconciliação com a vida

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Saudade de nóis

"A experiência poética é uma revelação de nossa condição original. E essa revelação é sempre resolvida numa criação: a de nós mesmos.”

Octavio Paz, em O Arco e a Lira

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015


todo este não
saber me faz querer dizer que

tudo que não sei dizer
faz com que queira dizer que

o tempo passa
não passa
já passou
tá aqui só esperando
e a noite nem raiou

e o dia vem
nascendo todo negro
com meu amor dizendo
que não me quer

e se brilha uma nova estrela no peito afogado de mágoa que não cessa
o olho cheio d'água cintila mas não cega
de um passado cheio de vida
que brota vinga e mora
no presente que não era
é

e a noite vem
raiando toda em brilho
e o peito em estribilho
perde todo o ar

quando a lembrança
perde a esperança
de estar na dança
do coração

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Hoje, ao tentar comparar duas coisas aparentemente opostas, tive como resultado dos primeiros passos das comparações a certeza de que elas se distanciavam a cada pensamento, cada algo se territorializando em suas certezas, afirmando suas diferenças e como num movimento de definição de identidade se certificando de suas características. Depois, sem a menor possibilidade de entender o ponto onde uma transformação enevoada se deu em minha cabeça, a comparação morreu e me restou a certeza de que elas eram iguais, a mesma coisa. E que elas, iguais, mesmas coisas, geravam distâncias entre si, pariam distâncias entre suas crias e criavam disparidades que no acontecer se igualavam. Eu achei que aquilo era Deus.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

comomnos velhod tempos
ebria postagemn
com erros de digitação

もう無理

agoira tantas coisa atravessan a
língua
o lápis
o tesão

embriagado de ausencia
minha ressaca é de virtude

vinho, poesia
certamente comigo levo

elevo-ns alto ao céu
em palavra

e pesquiso

uma forma mai singela
de daqui sair
com não necessariamente
classe nem pose
ou posse

mas com coraç]ao
vernelho
daquele que caminha junti
com vocês
faz tempo
hora em silencio
hora em alto e bom estrondo

e em verso
sempre
verso
caminho conosco

a saudade
 reina
em coração
intestino, bexiga

e no blog
palavras
a nóis

xóra


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

O encontro da pedra com o barro

do baixo do lamaçal bruto
escorre um lodo

e do lodo
fez-se barro

e do barro fez-se pedra

;

do alto do lamaçal bruto

brasa mora
brisa bora
a mora, b mora, c mora. D mora

pra entender atender a demanda

de si

redemoinho de pensamentos em parafusos

brita deiras
brinca deira

brisa, bora!

ali, no ponto,
aquele difícil de dizer
e desdizer,
brota brota brota brota

mas não diz
não condiz com o som
com bis; que bis?

chocolate, música?

não sabe.

brota brota brota brota

bote navega
no lodo

boto navega
no barro

brita
deira deira deira

de ideias.

ilhas serpentinas
mora mora mora

tudo

no centro do lamaçal bruto.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Poema que fiz depois de ver a exposição do Amyr Klink

toco o barco e o mar
me toca
com sua mão azul
o mar me toca
e me lembra
velho amigo
me lembra
de sonhos adormecidos
aconchegados
em mim no barco
no mar

princípio e fim
em não em sim
sonhos à sombra
do salgueiro sakura
momiji buriti

à sombra da vela
do barco
envereda-me um
sonho, sonhos

de jovem, sussurro
de Hesse, tesouro
de mãe, mão
o mar azul me
toca, velho amigo

princípio e fim
em ti, em mim

e o sonho
sonhos
sempre ali





(Av. Paulista, Conjunto Nacional, quarta-feira a tarde, 24/09)