farto de materialidades
nutro o jardim de rosas, arredores do que tento ser,
com a matéria sonora que me envolve agora.
descubro meu corpo,
fico nu perante os sons graves;
me atordoa o movimento cíclico que toma conta da atmosfera do instante presente.
caminho pelo oceano de meus pensamentos
e nele revelo
uma saudade
que insiste em ser
olho d'água
em ser
fonte
,e assim, defronte ela,
balbucio lágrimas neutras
distantes das compreensividades
quase o mesmo tanto que dista, no campo da matéria,
o corpo distante motivador desse movimento de dedos, punho e não sei mais o quê.
germina uma rosa.
os momentos despendidos aqui são de reconciliação com a vida
quarta-feira, 5 de março de 2014
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
grava
na memória
como se tudo fosse perene
o nó que se fez
as anotações em giz
que te são importantes
mas já não sei
o que passa
o que passou
cada sempre é um novo
e cada novo é uma angústia
e cada angústia é cheia de palavras
que têm vontade de serem escritas
já eu, poço de nadas,
morada de moréias elétricas,
cada qual com seu pedaço de mim,
me desfaço e não me reconheço,
cada instante é um instante de incerteza,
e então as brindo
e brinco, seguro de si,
só para quem está de fora,
sozinho deito no chão
e choro,
rolo lágrimas.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
sábado, 25 de janeiro de 2014
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Nossa plenitude
Quero te dizer também que nós, as criaturas humanas, vivemos muito (ou deixamos de viver) em função das imaginações geradas pelo nosso medo. Imaginamos consequências, censuras, sofrimentos que talvez não venham nunca e assim fugimos ao que é mais vital, mais profundo, mais vivo. A verdade, meu querido, é que a vida, o mundo dobra-se sempre às nossas decisões. Não nos esqueçamos das cicatrizes feitas pela morte. Nossa plenitude, eis o que importa. Elaboremos em nós as forças que nos farão plenos e verdadeiros.
Lygia Fagundes Telles
em As Meninas
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
algo acaba - algo começa
meça o que começa
nao como quem acaba
mas como quem arremessa
um porvir que nao é nada.
considere o que nao interessa
ideia clara, nova, velha, borrada
vai assim sem pressa
faz do tempo tua morada
que de repente numa travessa
escura
perdida
incerta
pode ter uma charada
que vai te divertir à beça.
nao como quem acaba
mas como quem arremessa
um porvir que nao é nada.
considere o que nao interessa
ideia clara, nova, velha, borrada
vai assim sem pressa
faz do tempo tua morada
que de repente numa travessa
escura
perdida
incerta
pode ter uma charada
que vai te divertir à beça.
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
poesia para o saraumberê
o ar às (avessas)
inversos - reversões - imaginações - desejos - estares - diversares - diversões
corpos
simples corpos
respirando
com ajuda de
palavras necessárias
sons necessários
movimentos necessários
cores necessárias
corpos
simples corpos
inventando
universos respirando o ar às (avessas)
numa espécie de
sarau.
inversos - reversões - imaginações - desejos - estares - diversares - diversões
corpos
simples corpos
respirando
com ajuda de
palavras necessárias
sons necessários
movimentos necessários
cores necessárias
corpos
simples corpos
inventando
universos respirando o ar às (avessas)
numa espécie de
sarau.
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